1970
Nascimento e origem
Nascimento em Santos/SP, filha de trabalhadores migrantes (AL e PA). Ainda bebê, mudou-se para Campinas com a família, fugindo da repressão política da ditadura.
Nascimento em Santos/SP, filha de trabalhadores migrantes (AL e PA). Ainda bebê, mudou-se para Campinas com a família, fugindo da repressão política da ditadura.
Meu nome é Margarida da Silva Calixto, mais conhecida como Guida. Nasci em Santos/SP, no dia 08/09/1970, filha de Wenceslau Duque da Silva e de Margarida Santos da Silva. Meu pai, carpinteiro, nasceu em Murici (Alagoas). Minha mãe, costureira, nasceu em Belém (Pará).
Neste período inicial de vida, meus pais residiram em Santos, eram militantes de base do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, em dezembro de 1970, tiveram que vir para Campinas com a filha recém-nascida fugidos da repressão. Sou a nona filha de uma família de 10 filhos, sendo 08 mulheres e 2 homens.
Em 1982, ainda no final da ditadura militar, minha mãe foi candidata a vereadora pelo PDT, partido que aderiu junto com a ala prestista (Luiz Carlos Prestes), oriunda do PCB, na chapa que era encabeçada pela companheira Kátia Righetto e sua principal bandeira de luta era por politicas públicas na área de saúde, educação e por moradia digna.
Foi nesse ambiente de lutas pela redemocratização, de reorganização dos partidos e movimento sociais que eu cresci, influenciada por uma conjuntura política marcada pelo acirramento das lutas de classes.
Vivendo na Vila Padre Anchieta, na década de 1980, acompanhando minha mãe, que era “fiscal de quarteirão”, organização popular que discutia melhorias nas condições de vida da população, fui tomando consciência das diversas problemáticas sociais.
Em 1991, me formei na primeira turma do Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (CEFAM). Esse projeto inovador, de formação de professores em período integral, ofereceu uma bolsa mensal de um salário mínimo, o que me permitiu dedicação integral aos estudos. A partir de um projeto político pedagógico diferenciado, com professores críticos, com intensas reflexões sobre os problemas locais e nacionais, com uma educação crítica às perspectivas educacionais tradicionais, dei meus primeiros passos na militância política, participando dos debates estudantis e educacionais.
Nesse mesmo ano, nasceu minha única Filha, Larissa Tayná da Silva Calixto, Nesse período era moradora no Parque da Floresta, bairro popular formado por pessoas que vieram de áreas de ocupações como Vila Moscou e Jardim Fernanda. Naquele momento, acompanhei a luta de minha mãe, que foi a primeira presidenta da Associação de Moradores do Parque da Floresta, na região do Campo Grande, conquistando melhorias para o bairro, incluindo a luta pela creche do bairro e do centro de saúde, que hoje recebe o seu nome.
Em 1996, fui aprovada em concurso publico da prefeitura de Campinas, exercendo o cargo de Monitora Infanto Juvenil I, a partir de 1997. Logo em seguida, em 1998, participei de minha primeira greve de servidores, que resultou na redução de jornada de 40 para 36 horas semanais. Lembro-me que naquele momento havia um forte organização do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais, enraizado na base, que promovia formação política, debate com a categoria, organização por local de trabalho, garantindo espaços de luta e formação de novas lideranças sindicais.
Na luta sindical, durante o governo Toninho/Izalene, entre 2001 e 2004, participei ativamente na conquista da redução da jornada de trabalho para 32 horas semanais das monitoras de educação infantil, sendo uma das articuladoras na mesa de negociação, assim como das conquistas do Plano de Cargos e Carreiras (Lei 12.012/2004), que garantiu aumentos salariais e melhorias nas condições de trabalho para a categoria, além da criação do CAMPREV.
Em 2002, filiei-me ao Partido dos Trabalhadores por acreditar que a luta econômica e sindical precisava ancorar-se na luta política e social, que as melhorais das condições de vida dos trabalhadores estava necessariamente interligada com a necessária transformação social. Desde então, meu principal movimento de luta foi o movimento sindical dos servidores municipais, participando de todas as eleições sindicais da categoria nas chapas de oposição.
A partir de 2005, estevive na oposição aos governos municipais que desmontaram conquistas obtidas no governo petista. Além disso, ocupei postos na direção do PT Campinas, na direção da Confederação dos Trabalhadores Municipais e atuei como educadora popular.
Nas eleições de 2008, candidatei-me à Câmara Municipal pela primeira vez, obtendo 444 votos. Foi praticamente uma anticandidatura, pois, contra a decisão de nossa tendência interna, o PT apoiou a candidatura de uma figura política que iniciou a privatização da educação pública municipal, denunciada por mim antes e durante a campanha eleitoral.
Em 2010, formei-me advogada pela Faculdade Anhanguera e a partir daí minha nova atuação, acumulada com o serviço público, foi no direito trabalhista e na defesa dos trabalhadores, participando, em 2016, da criação do movimento dos Advogados Independentes de Campinas, que surge questionando a atuação da OAB Campinas, que defendeu o Golpe de 2016 contra a Presidenta Dilma Roussef.
Em decorrência do acúmulo de lutas, em 2016, concorri na eleição do Conselho Municipal de Previdência Social de Campinas – Camprev, sendo eleita a conselheira mais votada, com 1761 votos. Nessa eleição participei da fundação do movimento Camprev é Nosso, em defesa do nosso Instituto, que estava sofrendo várias ataques do governo municipal. A partir daí, sempre atuei em defesa do fortalecimento do Instituto e contra a retirada dos direitos dos servidores, como já fazia desde que participei da primeira greve da categoria.
Em 2020, resultado de um processo coletivo, fui lançada novamente como candidata à Câmara Municipal, obtendo 3645 votos, sendo a mais votada Partido dos Trabalhadores. Na Câmara Municipal de Campinas, exerci inicialmente a liderança da bancada petista, e atuo em diversas pautas, com destaque para as questões étnico-raciais, gênero, educação, saúde. Por compreender que o exercício do mandato é uma tarefa coletiva, antes de tomar posse constituímos um Conselho Político com a militância envolvida na campanha, que colaborou no planejamento inicial e atua no suporte político e cotidiano, além da constituição de Grupos de Trabalhos nas seguintes áreas: educação, gênero, relações étnico-raciais, funcionalismo público, sindical, movimentos sociais, direitos dos animais, finanças públicas, crianças e adolescentes, meio ambiente, saúde, trabalho e renda, questões urbanas, juventude, LGBTQIAPN+ e cultura.
Fui reeleita, em 2024, com 5.492 votos. Apenas como destaque entre tantas ações, duas questões trago como fundamentais: a construção da História em Quadrinhos Territórios Negros – nossos passos vêm de longe, que mapeia as organizações, eventos e espaços da população negra de Campinas, que gerou uma ação racista da extrema direita na cidade e no parlamento municipal, que acarretou um pedido de comissão processante para cassar meu mandato, o que permitiu uma ampla mobilização do movimento negro e popular de Campinas, ampliando ainda mais a divulgação desse importante material. Outro destaque é a luta em defesa da categoria de monitoras e agentes de educação infantil, que não são tratadas pela Prefeitura Municipal como educadoras, com desvalorização de sua atuação pedagógica. Entendemos que o cuidado e a educação são indissociáveis no processo pedagógico e, por isso, atuamos em um movimento local e nacional – Somos todas professoras – para essas categorias sejam incorporadas no quadro educacional da Prefeitura Municipal de Campinas. Com a sanção do presidente Lula, que reconheceu esse direito histórico, lutamos para que o enquadramento dessas profissionais no quadro educacional seja efetivado não só em Campinas como em todos os demais municípios que acompanhamos e colaboramos nessa luta.
As pautas iniciais foram aprofundadas nesse segundo mandato. Lançamos a 3ª edição da História em Quadrinhos Territórios Negros, organizamos um planejamento territorial e setorial para ampliar o enraizamento nos territórios e, fruto de um debate coletivo, lancei minha pré-candidatura a deputada federal.
Você pode entrar em contato com a gente através dos canais disponíveis.
guida.calixto@campinas.sp.leg.br
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